sábado, 2 de junho de 2012

São Caetano vence. Com o dedo do técnico

Pela quarta rodada da Série-B do Campeonato Brasileiro, agora há pouco em Natal, o São Caetano conseguiu expressiva vitória diante do até então invicto ABC.

Gol solitário do lateral-direito Samuel Santos aconteceu aos 25 minutos do segundo tempo, em falha do bom goleiro Andrey. Resultado tem o dedo do técnico Sérgio Guedes.

O Azulão vinha de boa vitória no Grande ABC -- 2 a 0 no Bragantino --, enquanto que o ABC estava motivado pelos surpreendentes 3 a 0 em Barueri.

Diante da torcida, o ABC tentou impor o ritmo desde o início, mas o time de Sérgio Guedes não permitiu que o domínio significasse riscos mais sérios.

Depois dos 10 minutos o jogo ficou equilibrado. Aos 20, as rédeas foram definitivamente para as mãos do novo São Caetano, que poderia ter marcado aos 24 com Geovane chutando forte de fora da área para boa defesa de Andrey.

Mesmo fora de casa, a posse de bola e a iniciativa passaram a ser do Azulão, montado num 4-4-2 agressivo, veloz e de aproximação consciente de meio-campo e laterais (sem exageros) na hora de atacar.

Defensivamente, protegido por dois volantes ( como contra o Bragantino, Augusto Recife se aventurou mais ao ataque do que Moradei), o Azulão passou por apenas dois sobressaltos em arremates de fora de Jadson e Raul.

Melhor momento do Azulão foi aos 42 minutos, e em dose dupla: Samuel Santos exigiu outra boa defesa de Andrey e no rebote o sempre perigoso Geovane chutou por cima.

Se houvesse um vencedor no primeiro tempo, deveria ser o São Caetano, que foi mais organizado, mais objetivo e mais contundente. O ABC dependeu de contragolpes esporádicos e arremates de longe.

Na segunda etapa, o agora renovado ABC reclamou pênalti de Gabriel em Adriano Pardal logo aos 2 minutos. Eu não daria, mas confesso que fiquei em dúvida.

Bem mais ativo e aceso, o ABC voltou a chegar com grande perigo aos 7 minutos, quando Eliomar Bombinha cabeceou e Luiz fez bela defesa.

Com o ABC mais ofensivo, sobrecarregando a marcação dos volantes e empurrando o São Caetano ainda mais para trás, sobrou um raro espaço para o Azulão contra-atacar e quase abrir o marcador aos oito minutos, em mais um chute de fora de Geovane que Andrey rebateu.

Aos 11, a alta zaga interna do São Caetano voltou a permitir que a conclusão de cabeça de Adriano Pardal fosse ao travessão quando Luiz já estava batido.

Se o São Caetano foi melhor no primeiro tempo, no segundo só dava ABC, que, na base da pressão, voltou a chegar com Bileu aos 15 e Raul aos 16 minutos.

Encurralado, o São Caetano não conseguia criar (Marcelo Costa e Éder sumiram do jogo) armar aquele contragolpe que poderia ser mortal. Superioridade ainda era do time de Márcio Goiano. E dá-lhe pressão! Tanto que aos 20 Luiz foi novamente exigido em arremate do bom meia Raul.

Como o domínio adversário era massacrante e gol estava por sair, Sérgio Guedes trocou aparentemente cansado Marcelo Costa pelo dinâmico e hoje mais ofensivo Pedro Carmona e o pivô Leandrão pelo folclórico Nei Paraíba, de mais movimentação.

A primeira jogada dos dois que entraram e mudaram a cara do sistema ofensivo por pouco não resultou em gol, aos 23: mais à frente, Pedro Carmona percebeu a mexida inteligente de Nei Paraíba e enfiou com precisão para o atacante concluir de pé esquerdo e exigir importante defesa de Andrey.

Só que Andrey foi de herói a vilão em apenas dois minutos: levou o chamado frango quando, naquele contragolpe dos sonhos, que vira a bola do jogo, Samuel Santos recebeu de Geovane, cruzou do fundo, rasteiro, e viu Andrey colocar pra dentro. Vida de goleiro não é mole!

Se Andrey passou de herói a vilão, o São Caetano passou de dominado a dominador após substituições tão providenciais. Se não um dominador ostensivo, ao menos um time capaz de voltar a retomar a iniciativa e de armar bons contra-ataques.

Como aos 32 minutos com Pedro Carmona e Geovane. Coincidência ou não, o jogo mudou de forma tão rápida quanto clara. Bom para o São Caetano, que voltou a respirar e ganhou mais vida. Dedo do treinador!

Surpreso e abalado com a reação do Azulão, o ABC demorou muito para recuperar o fôlego e buscar o empate com o mínimo de organização. Abusou da pressa e da imperfeição nos passes e nas finalizações.

Tanto que só voltou a ameaçar aos 36 minutos, quando Luiz fez outra grande defesa em chute de Joelson da esquerda após cobrança de falta ensaiada. Aos 37 foi Augusto Recife quem salvou.

Daí até o final o voluntarioso mas hoje limitado ABC pressionou (quase empatou aos 44em cabeçada de Joelson pra fora) e o Azulão se defendeu com aplicação para garantir uma vitória importantíssima.

Três pontos e segunda vitória consecutiva devem ser creditados principalmente à percepção de Sérgio Guedes. Será que o demitido Márcio Araújo faria a mesma leitura e tomaria igual providência com a mesma rapidez? Acho difícil!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

E aí, Tite, como parar Neymar?

Juro que eu não queria estar na pele do técnico do Corinthians. Sinceramente, se eu fosse o Tite, não saberia ao certo o que fazer para tentar anular o quase sempre endiabrado Neymar.

O primeiro jogo semifinal da Libertadores será na Vila Belmiro, provavelmente diante de 16 mil torcedores, a maioria santista. Pressão pura! Gramado é bom e mede 106m x 70m (arredondando, 7420 metros quadrados).

Segunda decisão acontece no tradicional Pacaembu, diante de aproximadamente 36 mil torcedores, a maioria, obviamente, corintiana. Também pressão do começo ao fim. Gramado é dos melhores e mede 104m x 68m (7072m²).

Portanto, ao contrário da impressão que passa, pela proximidade do torcedor, na Vila Neymar vai ter 348m² a mais para dar trabalho ao rígido sistema defensivo do Corinthians.

Ainda não se sabe pra quem vai sobrar a tarefa mais indigesta. A tendência inicial é Tite não mexer na lateral-direita. O detalhe é que Alessandro é esforçado, mas já não tem tanta caixa e alterna altos e baixos.

Sozinho, não vai dar conta. Precisaria da assessoria de um falso ponta (Jorge Henrique) ou meia (Alex) deslocado para o primeiro combate e/ou da cobertura constante de um volante, além da chegada de Chicão, que também não é nenhum menino.

Outra opção seria o voluntarioso Wallace, mas o zagueiro interno vem de lesão séria e cirurgia. Talvez ainda não se garanta sem múltipla ajuda.

Há quem sugira o deslocamento de um dos volantes, Ralf ou Paulinho, para a direita. Besteira! Seria um tiro no próprio pé. Ambos executam suas funções com extrema competência. Paulinho é o melhor e mais completo jogador do elenco. Se for deslocado, não vai chegar para concluir, uma de suas virtudes.

Há, também, alguém que concorde comigo. Embora soe como absurdo, ouso dizer que o quarto-zagueiro Marquinhos pode ser uma boa opção. Jovem, firme, rápido e dono de uma antecipação à la Gamarra, o menino tem fôlego e personalidade para acompanhar todos os movimentos do monstro, que, com espaço, faz a diferença.

Independente da opção individual de Tite, deve prevalecer o incessante trabalho coletivo da defesa menos vazada contra o melhor ataque da Libertadores. Se formar um bloco capaz de congestionar os caminhos do menino, a tarefa corintiana será menos árdua. Nada fácil, mas menos dificultosa.

Sem Ganso, o Santos fica fragilizado. Mas a marcação do Corinthians não pode deixar de prestar atenção nas ações ofensivas de Arouca e Juan ou do incendiário Léo para encostar em Neymar. Difícil acreditar que Muricy vai optar por Alan Kardec na armação.

Na briga de cachorro grande, entre o campeão brasileiro e o da Libertadores de 2011, a principal individualidade, capaz de desequilibrar, é o camisa 11 da Seleção Brasileira.

Cabe a Tite achar o homem certo e o esquema compatível. Se apenas procurar imitar um Velez de marcação ostensiva, pode ser suicídio. Nós, brasileiros, não temos a determinação, a pegada bem mais agressiva dos argentinos.

Ruy Barbosa, Eça de Queirós, Pinheirinho e a CPI

Num discurso histórico, no Senado, em 1914, o escritor e político Ruy Barbosa foi cirúrgico e "premonitório" no desabafo: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

Num ano qualquer do século XIX, já que nasceu em 1845 e morreu em 1900, Eça de Queirós escreveu: "Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente, e pela mesma razão".

Frase acima, igualmente secular, é atribuída ainda a Mark Twain e Bernard Sham, mas o que importa é a essência, o recado que cai como uma luva nos tempos e nas condutas atuais. Passaram-se cem anos e quase nada mudou.

Quer dizer, o que mudou foi pra pior. O modus operandi evoluiu. Ainda somos feitos de palhaços quando teimamos em acreditar em promessas de campanha e conversa fiada!

Hoje as fraldas são tão descartáveis quanto a maioria dos políticos. Só que as fraldas vão para o lixo e os "escolhidos" a dedo insistem em completar bodas de ouro no conforto do poder.

E continuam a fazer cagadas malcheirosas. Se é que há cagada perfumada! Melhor não duvidar da capacidade de dissimulação de senhores tão nobres. Infelizmente, sobra enganação, sobra fisiologismo. Também sobra omissão. E bosta! Isso mesmo, não se ofenda, sobra bosta!

Falta fralda, falta atitude digna de quem foi eleito para legislar com o mínimo de competência e transparência. Falta comprometimento com a coisa pública. Ninguém, aqui, está a cobrar condenação sem julgamento justo.

Salvo raríssimas exceções, que se perdem na generalização, políticos são mesmo como bebês, dados a cagadas sem aviso prévio. Nem ao menos flatulência. Nem um peidinho!Afinal, avisar pra quê?

Exemplo de mais uma omissão/cagada coletiva, bem coberta pelo manto do protecionismo descabido, foi perpetrado outro dia por alguns vereadores da base de sustentação do prefeito de Santo André.

O rabo preso com o poder maior, Aidan Ravin, fez a CPI do Semasa terminar em pizza. Que novidade! O cidadão foi enganado! O teatrinho investigativo deu em nada. O esgoto semasiano conduziu tudo, inclusive a propalada propina, para uma enorme fossa séptica. Ou seria uma fossa de campanha?

Assim tem sido há séculos! Desde os imperadores da Roma antiga. Trocam-se favores, em todos os segmentos -- não é só político que é safado, não! --, sem se respeitar a ética dos homens de bem. E, já que o papa está tão longe, que o pobre munícipe vá reclamar com o bispo!

Por incrível que pareça, no caso da possível extorsão no Semasa quem está mais próximo da coerência é o folclórico e contestado vereador da bicicleta. A ideia não é nova, mas pelo menos o polêmico Pinheirinho teve peito para demonstrar sua insatisfação (e de muitos) ao oferecer pizza na Câmara Municipal.

A culpa recaiu exatamente sobre quem acusou a existência de pagamento de pedágio para liberar licenças ambientais. Não sobrou pra nenhum acusado. A CPI apurou superficialmente, relatou economicamente e concluiu precipitadamente.

Nova CPI já foi criada pela oposição. Sem contar as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, que, acredita-se, sejam mais sérias. A nova CPI, se não acabar amanhã, não pode ser outro engodo.

Tomara, também, que o prefeitão tome atitude firme e, mesmo que tardiamente, venha a público para dar respostas mais claras e consistentes. Se não quiser entregar a reeleição de mão beijada ou até ser apeado do poder antes mesmo de concluir o primeiro mandato.

O prefeito só não pode ser incriminado sem o sagrado direito do contraditório, da defesa. Afinal, embora limitado como gestor, Aidan não é bandido.

Como o cidadão comum já está de saco cheio de ser desprezado, empurrar com a barriga, sem justificar, não é a melhor alternativa. É sinônimo de boi fujão, de enganador dissimulado e inseguro, que não respeita e não se dá ao respeito.

E respeito, justiça e honestidade são fundamentais para quem faz parte de uma CPI que deve investigar sem sentença definida. Se a nova Comissão Parlamentar de Inquérito também der em nada, é melhor Pinheirinho contratar todos os ciclistas da Volta da França. Se faltar voluntário, basta dar um alô para o pessoal da Bélgica.

Se fosse vivo, talvez o senador/ministro baiano sentiria ainda mais vergonha, mais nojo do que acontece em todas as camadas do poder, independente das preferências partidárias. De Santo André a Brasília!

Talvez hoje o desiludido intelectual, o Águia de Haia, optasse por escrever sobre a final da Liga dos Campeões, sobre a semifinal da Libertadores ou sobre a revolta das bicicletas. Amenidades!

Já o grande escritor português, se ainda estivesse entre os vivos, não teria dúvida: "É muita bosta pra pouca fralda!" Vai faltar bicicleta, caro Pinheirinho! Não se esqueça das carretinhas e do perfume francês!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Danielzinho no Azulão! É oito ou oitenta!

Finalmente, o São Bernardo decidiu emprestar o atacante Danielzinho. Cotado para jogar no Marítimo de Portugal, o artilheiro do Tigre na campanha do acesso à elite estadual vai ficar no São Caetano até o final do ano.

Daniel Tiago Duarte nasceu em São Bernardo, a 21 de fevereiro de 1988. Foi revelado pelo próprio São Bernardo, tem 1,79m e pesa 70kg. Característica principal: individualismo; para o bem e para o mal.

Danielzinho é o tipo do jogador útil, mas ainda joga menos do que pensa. Ou seus empresários pensam! Apesar de um dos maiores artilheiros da curta história do clube fundado em dezembro de 2004, o jovem exercita bem mais o individualismo do que o coletivismo.

Veloz mas sem visão periférica porque teima em jogar de cabeça baixa, ele costuma oscilar muito. É oito ou oitenta! Faz jogos brilhantes quando decide por meio da fome de gols e partidas bizonhas quando exagera no egoismo, mata ataques promissores ou perde gols imperdíveis no profissionalismo.

Danielzinho gosta de jogar mais ou menos ao estilo de Neymar, partindo da direita ou da esquerda em diagonal. Ad vezes, pensa ser Neymar, mas está muito longe do craque santista. Falha excessivamente na conclusão, talvez em função de não se ter esmerado nos treinos de fundamentos ainda nas categorias de base.

Se vai dar certo no Azulão? Posso até queimar a língua, mas não apostaria nem metade das minhas fichas. Já decepcionou no Sport e no Avaí (?). Chega no São Caetano como segundo atacante, provavelmente como opção para substituir o titular Geovane.

Se tiver humildade e se aplicar nos treinamentos técnicos, táticos e físicos, Danielzinho pode aprender muito sob o comando do exigente Sérgio Guedes. Treinador não é de atitudes excessivamente paternalistas.

E os dirigentes do São Caetano também não podem tratar o jogador como xodozinho, o bom menino que virou ídolo na cidade natal. Paparico é coisa de torcedor e fim de papo.

Eterna promessa? Por enquanto, só promessa! Tem bela oportunidade de mostrar que seus críticos estão equivocados. Na maioria das entrevistas, mesmo com certa ingenuidade, procura dar indiretas para jornalistas, dirigentes e alguns torcedores que o criticam.

Porém, no campeonato da Segundona (A-2), só acordou e voltou a jogar bem quando exigido com maior intensidade. Mesmo assim, apesar de aparecer bem e sempre livre para finalizar, perde gols em demasia e ignora companheiros com maiores possibilidades de concluir com sucesso. É fominha!

Se for mesmo exigido, monitorado com rigor e incentivado, talvez possa responder de forma positiva e seguir carreira até em clubes maiores. Só que ali, onde a visibilidade é proporcional à cobrança, pode virar vilão num piscar de olhos e levar um pé na bunda.

Se o jovem achar que é o bom, vai dar com os burros n'água, voltar ao Tigre e ser emprestado a clubes secundários. Não é craque, mas pode ser útil. O tempo dirá se o Azulão fez bom negócio ou entrou numa roubada.

Camisas 1, 10 e 11 da Seleção

Na bela goleada sobre os Estados Unidos, a Seleção Brasileira teve méritos e foi convincente. Além dos 4 a 1, o grupo de Mano Menezes desfilou virtudes individuais e coletivas nos três setores.

A começar pelo camisa 12, que tem condições indiscutíveis de ser camisa 1 nos Jogos Olímpicos de Londres. Pode parecer precipitação de um jogo só, mas não é! O jovem Rafael matou a pau!

Estreia do goleiro do Santos foi de encher os olhos. Não se assustou! Não tremeu! Isso é ótimo! Rafael teve personalidade de jogador maduro. Foram pelo menos quatro defesas de vulto. Passou firmeza de veterano, de gente grande!

Na zaga, o lateral Danilo, mais preso, talvez para liberar Marcelo, ainda não convenceu. O capitão Thiago Silva mostrou por que é o sonho de 10 entre 10 maiores clubes do mundo.

Seu companheiro, o jovem Juan ainda alterna altos e baixos, mas joga firme. David Luiz ainda é superior. Quando não exagera no preciosismo e entrega o ouro! Jogo aéreo da zaga interna deve melhorar quando o treinador acertar o posicionamento.

Na esquerda, Marcelo foi muito bem tanto na defesa quanto no ataque. Se dá bem com Neymar. Marrento, só precisa controlar o pavio curto para não acabar expulso como um mero juvenil.

Os volantes, Sandro e Rômulo, apareceram pouco, mas marcam com desenvoltura. Falham pouco por falta de entrosamento. Normal! Não sacrificam o trabalho dos zagueiros e facilitam a performance do armador, como no caso de ontem.

Armador de aproximação, vertical, cortante, que me fez repensar no que escrevi em março do ano passado (Neymar, Ganso, Lucas + 8). Oscar, revelado no São Paulo e hoje no Inter, foi brilhante e garantiu vaga para Londres.

Dinâmico, combativo, inteligente e ousado, Oscar deve ter deixado Ganso com a pulga atrás da orelha e Mano Menezes com um sorriso de orelha a orelha. Se quiser, treinador pode até escalar um mais pela direita e outro pela esquerda, saindo um atacante.

O armador do Santos é diferenciado, mas, constantemente lesionado, corre o risco de não estar inteiro até julho. Mesmo que se recupere da artroscopia, vai ter de jogar muito mais para recuperar a posição.

Se ficar limitado a uma faixa do campo, duas enfiadas de bola e uma conclusão por jogo, vai dançar. Pouco pra quem é definido como craque. O camisa 10 de Londres será o menino de personalidade que ontem encheu os olhos de quem gosta de futebol.

Como o Brasil jogou no 4-2-1-3, Hulk abriu pela direita, Neymar pela esquerda e Leandro Damião ficou como referência. Hulk extrapola a idade e pode ser preterido na titularidade por mais um armador.

Ou mesmo o mais ofensivo Lucas, que, estranha e erroneamente, brilha na direita sãopaulina mas na Seleção tem entrado na esquerda. Ali, a luz se apanha.

A camisa 9 parece mesmo entre Leandro Damião e Alexandre Pato. Se Pato se concentrar mais no futebol e não continuar refém de lesões sequenciais, terá alguma chance.

Leandro Damião alterna jogadas de craque e de cabeça-de-bagre, mas agrada como referencial e ainda se aplica para ajudar a marcar a saída de bola, sistemática incorporada com louvor pela Seleção.

Já a camisa 11 tem dono há algum tempo. O infernal Neymar nem precisou fazer diabruras. Como craque global, agora ficou ainda mais visado e tem cada vez menos espaço. É o preço da fama! Sobra buraco para os companheiros.

Embora sujeito a discordâncias dos mais exigentes, entendo que, pela produtividade, Neymar foi um dos melhores em campo ao lado de Rafael, Thiago Silva, Marcelo e Oscar.

Marcou de pênalti, bateu o escanteio que originou o gol de cabeça de Thiago Silva e -- após enfiada milimétrica de Oscar -- foi ao fundo para servir Marcelo de bandeja no terceiro. Precisa mais? Seleção não é Santos, não!

Quanto à seleção americana, não é uma Espanha,uma Alemanha, mas está longe de ser rotulada como o saco de pancadas de outrora. Falha muito defensivamente, mas sabe jogar do meio pra frente. Tanto que fez o nome de Rafael.

Meninas do handebol vão para o G-8 em Londres

Senhoras e senhores, fãs do handebol,façam suas apostas! Desta vez, sem medo!

Handebol feminino do Brasil oscilou muito e não foi bem nos Jogos Olímpicos de Pequim, quatro anos atrás. Mas em Londres as meninas vão ficar entre as quatro melhores do grupo na primeira fase e passar para o G-8 do bem. Pode apostar!

Se o lado psicológico não estiver tão fragilizado quanto em 2008, quando a maionese desandou principalmente por falta de competência emocional, e não técnica, nossas feras vão, sim, garantir vaga para as quartas-de-final. Dobro qualquer aposta!

Grupos anunciados ontem não significam obstáculos intransponíveis para as belas do dinamarquês Morten Soubak. Sem essa de bicho-papão! Dá pra passar! Vai passar! Veja por que a possibilidade beira os 80%.

O Grupo A tem Brasil, Rússia, Croácia, Montenegro, Grã-Bretanha e Angola. Em Pequim, o Brasil venceu a Coréia do Sul (medalha de bronze), empatou com a forte Hungria e perdeu de Alemanha, Rússia e Suécia.

Embora não tenha passado das oitavas-de-final em Pequim, as brasileiras evoluíram. Tanto que mostraram handebol convincente e chegaram em quinto no Mundial de 2011 em São Paulo, ao vencer exatamente a Rússia, vice-campeã olímpica.

No Mundial a Croácia ficou em sétimo ao superar as angolanas. Montenegro não deve pagar placê e a Grã-Bretanha é a seleção mais fraca do primeiro páreo. Favoritismo da Rússia.Outras vagas devem ficar com Brasil, Croácia e Angola.

No Grupo B estão Noruega, Espanha, Dinamarca, França, Suécia e Coréia do Sul. Campeã olímpica e mundial, a Noruega é pule de 10 para passar. Isso se ninguém atropelar por fora. Outras três vagas devem ser disputadíssimas, decididas cabeça a cabeça.

A França é vice mundial e quinta nas Olimpíadas; a Espanha foi bronze no Mundial; a Coréia do Sul foi bronze e a Suécia oitava em Pequim, enquanto que a Dinamarca ficou em quarto no Mundial. Definição, só mesmo no cruzar do disco final.

Das 17 brasileiras convocadas, apenas a central Débora Hannak (Metodista) e a ponta Jéssica (Blumenau) jogam aqui, onde o time de São Bernardo ganha quase tudo há muito tempo.

As demais integram importantes equipes na Europa. O intercâmbio tem sido fundamental para as meninas amadurecerem e aprenderem a competir contra potências do handebol mundial. Só não vale pipocar e ficar com medo de perder.

Com os nervos no lugar, e no embalo de vitórias motivadoras, podemos até chegar ao podium pela primeira vez. Quanto a quebrar a hegemonia das europeias, está mais para utopia. Um sonho distante.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Azulão convence. Que não seja fogo de palha!

A se julgar pelo jogo encerrado agora há pouco no Anacleto Campanella, o São Caetano de Sérgio Guedes será bem diferente do comandado pelo recém-demitido Márcio Araújo.

Não apenas pela boa vitória de 2 a 0 sobre o Bragantino, depois de perder de 1 a 0 para ASA e Avaí nas duas primeiras rodadas do Brasileiro da Série B.

Pelo menos hoje, o time do ex-goleiro do Santos venceu e convenceu. Que não seja apenas fogo de palha! Foi menos burocrático, mais determinado, dinâmico, organizado e agressivo.

Defensivamente, o Azulão deu pouquíssimas oportunidades ao time de Marcelo Veiga, ex-lateral do Santos e do Santo André. Especialmente pelo posicionamento e pela combatividade incessante de Moradei e Augusto Recife, que apareceu até no ataque.

Está certo que sem o bom ala Vitor Ferraz e o rápido atacante Romarinho, negociado com o Corinthians, o Bragantino ficou capenga e disperso. Seu 3-5-2 estava desfigurado. Por isso defendeu mal e contra-atacou sem a contundência de outros tempos.

O 4-4-2 o São Caetano foi bem mais produtivo e consistente. Até mesmo quando variou para o 4-3-1-2, com Éder ajudando pela esquerda e Marcelo Costa chegando no ataque. Ou para o 4-2-1-3, com o mesmo Éder ficando mais aberto na esquerda.

No primeiro tempo o São Caetano fez dois gols (Geovane aos 28 e Éder aos 36 minutos) com a participação do produtivo pivô Leandrão, que também provocou a expulsão do zagueiro Cris no final do primeiro tempo.

Na segunda etapa, com um homem a mais e preferindo não correr riscos desnecessários, o Azulão puxou o freio, procurou administrar o resultado sem sofrer tantos sobressaltos (apenas numa conclusão ridícula do isolado centroavante Lincom). Mesmo assim, ainda chegou com perigo em dois contragolpes e duas jogadas mais trabalhadas.

O então titular Pedro Carmona, ex-Palmeiras, entrou no lugar do cansado Éder e no final Luciano Mandi, de volta do São Bernardo, substituiu Geovane. Com pouco tempo, quase nada conseguiram de prático. Não precisou. Apesar de aplicado, o Bragantino já estava morto.

Reestréia de Sérgio Guedes com vitória serve de alento. Se não foi perfeito, pelo menos o São Caetano trocou a passividade de uma falsa e ameaçadora zona de conforto por um conjunto de atitudes dignas de quem tem responsabilidades e ganha pra jogar.

Contra o ABC, sábado, em Natal, o Azulão tem mais uma oportunidade de mostrar que a vontade de hoje não é fogo de palha. Que não é enganação passageira de quem se apresenta disposto ao novo treinador mas logo depois se acomoda.

Sem mídia a cobrar com mais rigor e grande torcida a fungar no cangote dos folgados, o jogador do São Caetano precisa, antes de tudo, independente de cobrança e visibilidade, se dar ao respeito como profissional da bola. Simples assim!